O começo do Cante alentejano está fortemente ligado às classes rurais que se mostravam descontentes com o trabalho, ou com a desvalorização de profissões, etc. Podemos considerá-lo como uma manifestação popular característica dos vários concelhos do distrito de Beja, mais precisamente a região do Baixo Alentejo.
É cantado em coro e sem instrumentos musicais, por grupos de homens e/ou mulheres que alternam as vozes entre si, havendo 2 vozes solistas (ponto e alto). As estrofes repetem-se, quantas vezes forem necessárias (de acordo com cada canção) e são cantadas de forma lenta e espaçada, o que lhe concerne uma certa monotonia, mas tão bela para os ouvidos.
Não só de músicas tristes e de descontentamento se faz o Cante, pois também há letras alegres com um toque irónico ou humorístico.
Por ser tão único e genuíno, foi reconhecido pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
A iniciativa da candidatura partiu do Município de Serpa juntamente com a Entidade Regional de Turismo do Alentejo.
Atualmente são os grupos corais, alguns deles com mais de 100 anos, que representam e mantém esta tradição. No entanto antigamente era em contextos informais que se cantavam estas modas alentejanas, durante o trabalho no campo, ou em momentos de convívio e de festa. São letras que falam de sentimentos e de momentos do dia-a-dia.
Sabia que o primeiro grupo coral surgiu em 1926?
Era associado aos trabalhadores das Minas de São Domingos, hoje desativadas, iniciativa seguida por um segundo grupo em Serpa, em 1927.